Daniel Draghenvaard

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NOME: Daniel Gontijo Draghenvaard

ESTADO: Minas Gerais

PROFISSÃO/ATUAÇÃO NA CERVEJA: Produtor de hidromel, bragote, vinho e cerveja da Smedgård. Vice-presidente da Acerva Mineira. Membro e fundador da Associação de Produtores de Hidroméis de MG.

*

1) Melhor Ale produzida no Brasil

Bodebrown Wee Heavy. Embora seja mais antiga e citada em outros anos, é uma cerveja que segue no topo. O alto padrão se mantém on tap e em garrafas. No meu gosto, uma das melhores cervejas feitas no Brasil. A combinação complexa de maltes com a potência do álcool equilibrando com o defumado me agrada muito.

2) Melhor Lager produzida no Brasil

Jan Kubiš da DUM. Tive o privilégio de beber incontáveis copos de uma das primeiras produções in loco, com o Murilo, o Luis e o Luiz Flávio, acompanhando um belo churrasco de última hora. Harmonização perfeita, grande surpresa pela combinação aromática dos lúpulos para uma Lager e drinkability elevado. Breja pra toda hora! 🙂

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil

Em 2013 houve uma invasão de De Molen sendo vendidas no Brasil. Um das minhas preferidas é a Hemel & Aarde Bourbon. Vi vendendo em algumas lojas, mas não tive coragem de comprar pelo preço. Bebi no exterior, pois chega a ser 5 vezes mais barata. Excelente cerveja, definitivamente um dos meus estilos prediletos, imperial stout defumada e envelhecida, com 11% e toda a complexidade de maltes e do carvalho branco queimado do estilo.

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil

Vou fugir um pouco da regra. Escolho uma cerveja híbrida, a Uerige Doppelsticke. Preciosidade que vem da Alemanha, potencializa todas as características de uma Altbier estupenda, só que ainda melhoradas e mais intensas. Por mais que tenha fermentação de Ale, é acondicionada por meses a frio como Lager. Forte e maltada, leve dulçor, com aromas e sabores de frutas secas e escuras. É um estilo híbrido complexo de cerveja, se posicionando num triângulo entre Aged Strong Lager, Barley Wine e Altbier. Cerveja única.

5) Melhor chope nacional ou estrangeiro à venda no Brasil

Bâdil da Jambreiro / Inconfidentes. Lançada em 2013 on tap, está entre as melhores Brown Ales que já bebi. Equilibrada, deliciososa e que está disponível em vários bares e pubs de Belo Horizonte. Vale cada gota.

6) Melhor bar cervejeiro nacional

Dom Patrício, em Ipatinga (MG). Novidade para mim, que tive a chance de conhecer e ainda pude dormir na casa-boteco do meu grande amigo Rafael Patrício :-). Lugar espetacular, centenas de cervejas, sonzera, “metal queima santa” e galera curtindo a vibe. Pude me embriagar com meus camaradas do Vale do Aço até 6 da manhã por 2 dias seguidos. Se não existisse eparema,  bicardonato de sódio, epocler e boldo eu já estaria morto!! Muitas iguarias gordurosas de porco ajudam a manter a gritaria e a felicidade dos beberrões!

7) Melhor cerveja caseira

Bob, na próxima muda para “Melhores”… Como você pede para escolher somente uma? Injustiça com os homebrewers que merecem ser citados. Vou escolher quatro: Weissbier Pé de Moleke, do Kelvin Azevedo; American Amber, do Reinaldo Barros e Pedro Gusmão; Robust Porter, do Renato Buaiz; e Vienna Lager, do Fabiano Carvalho

8) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil

Biržų Alaus Darykla – Jubiliejinis, edição comemorativa 1686, ano de fundação da cervejaria na Lituânia. Estilo tradicional báltico, envelhecido. Cerveja forte e licorosa maturada em barris por alguns meses, remete a um estilo híbrido entre uma Old Ale inglesa e um Gruit báltico. Herbal, levemente ácida, com taninos, frutada e levemente adocicada pela concentração de maltes. Leve amargor.

9) Melhor blog ou site cervejeiro

ØLentusiasteN.

10) Melhor rótulo de cerveja, nacional, importado ou caseiro

A cerveja Širvėnos Bravoras, da Dundulis. Rótulo que representa a verdadeira herança pagã da região da antiga Prússia e da Lituânia no Báltico, o Romuva. Para mim cerveja e fermentados de maneira geral sempre estarão relacionados ao resgate cultural e às tradições de cada povo que os fez e os continua fazendo. Todos que fazem bebidas desejam se inspirar em algo e o rótulo passa a mensagem que o produtor deseja.

11) Melhor evento cervejeiro nacional

Como sou cervejeiro caseiro e não participo de outros eventos profissionais, para mim continua sendo o encontro das ACERVAS, chance que tenho de reencontrar meus camaradas espalhados pelo Brasil ao menos uma vez no ano, de beber e conhecer novas cervejas.

12) Novidade do ano

Impossível listar uma. Há a notícia de que Belo Horizonte irá sediar o próximo South Beer Cup em Maio de 2014, algo sensacional para o Estado e que ainda ajudará a promover cada vez mais as microcervejarias em Minas Gerais. Além disso, após a redução do ICMS no Rio Grande do Sul em 2012, outros Estados felizmente seguiram esta tendência no mínimo óbvia e que ajuda a fomentar o setor – até o momento MG, SC e PR; que venham mais Estados e que a redução atue também no preço final para o consumidor e na competitividade do setor. Por fim, houve a criação da Associação Brasileira das Microcervejarias (ABMic), possivelmente um dos primeiros passos para o desenvolvimento profissional e sustentável do setor, que por sua vez pode fortalecer o diálogo junto ao governo para adequação de carga tributária, parcerias, logística, benefícios etc.

13) Melhor fato cervejeiro

Comunicado do MAPA (Minstério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre a consulta pública para revisão na Instrução Normativa 54, a ser validada até 2015. Isso é de vital importância para que o Brasil deixe de ser um país amador no setor cervejeiro. Consequências diretas: otimização do processo de criação, produção e registro de novos produtos; menos burocracia; atendimento à demanda de mercado por produtos inovadores; utilização de insumos novos e variados até então proibidos pela legislação vigente; et cetera.

14) Pior fato cervejeiro

Apesar de que importantes passos foram dados em 2013 para o desenvolvimento do setor (i.e. consulta pública do MAPA, redução de ICMS e criação da ABMIC), ainda vejo falta de articulação e de união entre a diversidade de profissionais de toda a cadeia. O Brasil é um mercado emergente, novo e em formação. Por analogia histórica sobre como ocorreu em outros países e nos mercados maduros, sem união a (r)evolução verdadeira não acontece. Sabemos que todas as mudanças são lentas, mas podemos fazer melhor do que está hoje. São poucos que realmente contribuem para as transformações. Um fato isolado e único também é o processo de “gourmetização” e “glamourização” da cerveja, que continua intenso por algumas pessoas e cervejarias. Estão nadando contra a corrente do que já é comum e padrão em todos os países de cultura cervejeira estabelecida. Do ponto de vista de marketing, estão definindo um nicho de mercado somente para público de classe A. Não sou contra que isso seja a estratégia de algumas cervejarias para produtos específicos, mas se querem divulgar a tão especulada “cultura cervejeira” e monetizar seus produtos com maior volume e aceitação de outros nichos, tal como é a tendência de qualquer empresa que deseja crescer e aumentar o faturamento, um produto de qualidade superior ao mainstream a preços módicos também precisa alcançar as massas. O Brasil está conseguindo ser o único país do mundo onde beber cerveja de qualidade com frequência é privilégio de reis de camarote e da oligarquia.

15) Previsão cervejeira para 2014

Otimismo. Não há dúvidas quanto ao crescimento do setor. Será melhor que 2013, porém precisamos de mais união e menos vaidade.

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